Já faz algum tempo que venho sendo cercado (no bom sentido) pelos vinhos da Campanha Gaúcha. Eu explico. Em várias ocasiões recentes, sempre que gostei de um vinho brasileiro e fui querer saber mais, me respondiam – é produzido na Campanha Gaúcha. Um cabernet sauvignon bem diferente dos que já havia provado por aqui? Campanha Gaúcha. Um vinho com toda pinta de francês, mas feito no Brasil. Onde? Campanha Gaúcha.

Finalmente acabei juntando as peças quando participei do evento promovido pela Associação Vinhos da Campanha, onde pude saber mais sobre proposta da entidade e também conhecer de perto alguns desses bravos que produzem vinhos muito interessantes no extremo Sul do Brasil.

Fazem parte desse grupo 11 vinícolas:

IMG_3374Durante o evento, pude conversar com eles enquanto provava seus vinhos. Em sua grande maioria, a produção é pequena feita com uvas de vinhedos próprios. Alguns destes vinhedos ainda são jovens, 10 a 15 anos de idade, mas com grande potencial. A amplitude térmica é uma das grandes vantagens da região na produção de uvas para vinhos finos. Essa característica aliada ao clima, possibilita a produção de uvas mais maduras que consequentemente produzem vinhos estruturados e potentes.

Entre os velhos conhecidos, provei novamente o ótimo Paralelo 31 da Bueno Wines, um vinho austero feito pelo Galvão Bueno e os vinhos leves e elegantes da Dunamis, como o delicioso e fresco Dunamis Pinot Grigio que acabou de sair dos tanques para a garrafa.

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Voltei a provar também os excepcionais vinhos da Vinhetica, com estilo francês, feitos pelo enólogo francês Gaspar Desurmont. O Terroir de Rosé claramente inspirado nos rosés da região da Provence e o Terroir de Rouge, um tinto leve de taninos finos, feito de cabernet sauvignon e arinarnoa, que pode ser bebido até um pouco mais frio.IMG_3344

Outro impossível de não notar é o Routhier & Darricarrère e seu famoso “vinho da Kombi”, por causa de seu rótulo diferenciado. Desta vez provei o Salamanca do Jarau Cabernet Sauvignon de baixíssima produção. É elaborado apenas com leveduras indígenas e seus aromas de couro, tabaco, frutas vermelhas e notas de especiarias, lembram os vinhos da região de Bordeaux na França.IMG_3347

Cordilheira de Santana eu também já conhecia pelo seu belo chardonnay, mas me surpreendi com seu cabernet sauvignon e tannat, ambos 2005. Segundo Gladistão Omizzolo e Rosana Wagner, proprietários da vinícola, eles guardam o vinho durante 10 anos para entregar ao consumidor um produto pronto para beber. Os vinhos estão evoluídos, macios e elegantes, tudo isso por menos de 60 reais, um ótimo preço.

IMG_3351Os meus novos conhecidos e que já virei fã destaco o Espumante Guatambu Rosé Brut, feito do exótico corte de 80% de gewurztraminer e 20% de pinot noir, que exala morangos frescos além da ótima acidez.IMG_3350

Já o Épico é mais moderno, denso, para os que gostam dos tintos encorpados.

IMG_3346Gostei bastante também do Batalha Tannat, que tem uma pequena parcela de merlot em sua composição, que deixa o vinho muito macio, equilibrado e fácil de beber.

Ainda provei vários outros bons vinhos, mas recomendo que você faça como eu e procure saber mais sobre esta região e todo seu potencial, mais ainda, convido você a provar a Campanha Gaúcha através de seus vinhos.