Recentemente fui convidado para uma degustação dos vinhos do Atelier Tormentas no Restaurante Olivetto, aqui em Campinas. O projeto Tormentas, como é conhecido, é capitaneado por Marco Danielle, um fotógrafo que resolveu largar a profissão para fazer vinhos no Sul do Brasil. Hoje ele está sediado na cidade de Canela.

Em sua ainda curta jornada como vinhateiro, Marco Danielle colecionou muitos amigos mas também muito inimigos, por sua postura direta, e muitas vezes dura, na defesa da forma natural como produz seus vinhos. Segundo a Ana nos contou, as uvas que ele utiliza, são compradas de vinhedos da região de Encruzilhada do Sul. Na hora de vinificar, os vinho não são filtrados e nem sofrem estabilização artificial, ou seja, Marco Danielle usa uvas vindas de agricultura tradicional, mas com vinicultura natural.

Independente de toda a polêmica, sempre acredito que a verdade está na taça e foi isso que fui conferir na degustação.Vamos ao vinhos:

Fulvia Pinot Noir 2012 (R$ 120)

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Tem cor clara, atijolada, turva e os aromas lembram frutas vermelhas frescas como morango e cereja. Aparecem também notas de terra molhada, caramelo e couro. No paladar, a acidez é excelente, fruta delicada e taninos finíssimos. Gostei bastante desta safra 2012. Muito equilibrado. A fruta está mais madura e, na minha humilde opinião, bem diferente do 2009 que já havia provado.

Ensaios Experimentais Barbera 2012 (R$ 120)

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É feito 100% de uva barbera e fica por 9 meses em barricas americanas. Não há nenhuma adição de SO2.  Cor bastante escura, aromas bem frutados que lembram ameixa bem madura e notas de café torrado e verniz. Na boca tem corpo médio, taninos redondos e muita acidez, confirmando sua vocação gastronômica.

Minimvs Anima 2008 (R$ 70)

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Esse é feito com uvas que vem das regiões de Campos de Cima da Serra e de Encruzilhada do Sul. É um corte de cabernet franc, cabernet sauvignon, merlot e alicante bouschet. Esse tem o bom e velho estilo dos vinhos austeros de Bordeaux. Os aromas predominantes são de terra molhada, couro um leve toque herbáceo, além da fruta negra em segundo plano. Na boca tem bom corpo, taninos ainda rústicos em grande quantidade e acidez equilibrada.

Independente das comparações ou das polêmicas, gostei dos vinhos e agradeço o convite da Ana Galliano.

Se você não gosta do Marco Danielle, que tal focar sua atenção nos vinhos que ele faz?