Na semana passada participei de um almoço de apresentação no restaurante Sallvattore, em São Paulo, de um dos produtores que mais gosto da região da Rioja, a Bodegas Roda. Presentes no Brasil agora pelas mãos da importadora Ravin, seu gerente de exportação Victor Charcán, veio até o Brasil para apresentar os vinhos e contar alguns detalhes sobre esses grandes vinhos.

A Bodegas Roda foi fundada em 1991, mas só produziu seu primeiro vinho em 1996. Essa demora não é à toda. Seus fundadores, Mario Rotllant e Carmen Daurell vivem na região desde os anos 80 e foram para lá com um objetivo claro: revolucionar o vinho espanhol. Desde então investem em tecnologia, mas preservam o maior legado da região: vinhas antigas, de quase 100 anos, que são as responsáveis pela complexidade de seus vinhos.

Durante o almoço, Victor falou sobre as diferenças entre os vinhos Roda e o Roda I. Veja no video abaixo:

Veja minhas impressões sobre os vinhos degustados:

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Sela 2010 (R$ 198)

Feito de uvas tempranillo (maior parte), graciano e garnacha, vindas de vinhedos de 15 a 30 anos. Passa 12 meses em barricas francesas. Um vinho leve, muita fruta negra, taninos firmes e em grande quantidade e ótima acidez.

Corimbo 2011 (R$ 198)

Um 100% tempranillo de vinhas de 20 anos. Assim como o anterior, muito frutado, só que mais macio no paladar, acidez mais equilibrada, com aromas mais marcados pela barrica de carvalho com notas de caramelo e chocolate.

Roda 2008 (R$ 308)

Feito de uvas tempranillo (maior parte), graciano e garnacha vindas de vinhedos de 30 anos ou mais. O Roda tem mais frescor, fruta vermelha mais fresca, taninos bem firmes, ótim acidez. O teor de álcool (13,5%) é mais baixo que os anteriores e também mais integrado, deixando-o mais elegante.

Roda I 2007 (R$ 409)

Outro 100% tempranillo, também de vinhedos de 30 anos ou mais. Estilo moderno, mais redondo e macio, um pouco mais alcoólico (14,5%) que o anterior, mas não menos prazeroso. Final muito longo.

Cirsion 2010 (R$ 1.442)

O Cirsion é, para mim, um Roda I ainda mais refinado. Um perfeito tempranillo, com aromas intensos de fruta vermelha que lembram cereja, um leve mentolado, chocolate e caramelo. Na boca é equilibrado, fino.  Um grande, raro e, logicamente, caro vinho. São apenas 7.000 garrafas que só são produzidas em safras excepcionais.

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De modo geral, todos os vinhos são muito bem feitos, elegantes e com bastante frescor. Mesmo com longa passagem por barricas de carvalho, a madeira não se sobressai. Outra característica importante é que como os vinhos ficam afinando por um longo tempo em garrafa guardados na bodega, todos chegam prontos ao mercado. Particularmente gostei muito do Roda I, mas o Roda, é o melhor custo benefício de todos. Sela e Corimbo tem estilos diferentes, mas ambos ótimos e com um custo interessante para você conhecer esse que é um dos grandes vinhos da Rioja.

Quer melhorar ainda mais a experiência? Vá ao Sallvattore e peça esse Stinco de Vitelo com capelini na manteiga.
Depois não se esqueça de ajoelhar e rezar. 😉

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